Olga apaixonou-se pela primeira vez em 1913 pelo Oficial Pavel Voronov. Antes dele teve alguns flertes inocentes com Oficiais, mas nada que dominasse seu coração como aconteceu com Pavel.
Fonte: AS IRMÃS ROMANOV, de Helen Rappaport:
O recém-promovido tenente Pável Alekséevitch
Vóronov tinha 27 anos e se juntara ao Shtandart em abril. No instante em que
pisou a bordo, a 10 de junho, Olga de imediato criou uma ligação com ele. Às
vezes, ficava sentada em sua companhia na casa de navegação, na proa, onde
ele estava de serviço, ou aparecia para lhe ditar o diário de bordo.
Em pouco
tempo tinham seu cantinho favorito, entre a sala do telégrafo e uma das
chaminés, onde muitas vezes ficavam sentados conversando com Tatiana e o
favorito dela, Nikolai Rodiónov.
Durante o dia, Pável às vezes se juntava às
meninas e ao pai delas em terra firme, para disputar acaloradas e vigorosas
partidas de tênis (ele era o parceiro de jogo favorito de Nicolau), sair para
caminhadas ou nadar. De volta a bordo, assistiam a filmes e jogavam baralho.
Tudo parecia muito inocente e correto, mas sob a superfície as emoções de Olga
estavam em turbilhão.
Todos gostavam do afável Pável Vóronov, principalmente Alexei, que
Vóronov muitas vezes carregava quando ele não se sentia bem.
No fim de junho,
Olga escrevia que “ele é tão afetuoso” e aproveitava ao máximo todos os
pequenos momentos de intimidade que conseguia, com frequência apenas
sentando para olhá-lo quando ele estava trabalhando na ponte de comando.
Qualquer atividade da qual Pável estivesse ausente ou excluído era “chata”;
quando ele estava presente, “era agradável e loucamente gostoso ficar com ele”.
Em 6 de julho, seus sentimentos haviam se tornado mais profundos:
“Ditei o
diário de bordo para ele. Depois disso, sentamos no sofá até as cinco. Eu o amo,
muito, demais”. No dia 12 de julho, em seu último dia no Shtandart antes de
voltarem a Peterhof, ela se sentou com Pável na casa de navegação até o último
minuto.
“Foi triste demais. O tempo todo em que a prancha de desembarque era
preparada eu fiquei com ele. Desci do iate às quatro. Foi tão terrivelmente difícil
me despedir do adorado Shtandart, dos oficiais e do meu querido [...]. Que Deus
o proteja.”
Nas semanas que passou em Peterhof ela recebeu telefonemas ocasionais
de Pável e também do leal Nikolai Sáblin, a quem tinha na mais alta estima. Isso
ajudou a moderar a triste litania das indisposições quase diárias de sua mãe.
O
coração da mamãe doía, seu rosto doía, suas pernas doíam; estava cansada;
estava com uma terrível dor de cabeça. Alexei também não se sentia bem, sentia
dores “por acenar demais com os braços quando estava brincando”, de tal
maneira que em meados de julho Grigóri foi chamado para vê-lo.
Ele chegou às
sete certa noite, sentou com Alexandra e Alexei e depois conversou um pouco
com Nicolau e as meninas, antes de sair. “Logo depois que partiu”, anotou
Nicolau em seu diário, “a dor no braço de Alexei começou a diminuir, ele se
acalmou e pegou no sono”.
Olga muitas vezes se sentava com o irmão e a mãe
quando não estavam bem, oferecendo conforto — assim como Tatiana — entre o
ocasional passeio a cavalo ou jogo de tênis.
Sua antiga paixão adolescente,
AKCH, reaparecia na Escolta de vez em quando e ela ficava feliz em vê-lo, mas
seus pensamentos continuavam principalmente com o Shtandart, que agora
singrava o Mediterrâneo.
No início de agosto, as duas irmãs mais velhas começaram a se preparar
a sério para sua primeira aparição oficial em manobras do exército, que teriam
lugar no dia 5 em Krásnoe Seló.
Elas praticaram equitação por vários dias,
aguardando o momento auspicioso em que passariam seus regimentos em
revista, uniformizadas e a cavalo, pela primeira vez — Olga trajada em azul e
vermelho com galões dourados do 3º Hussardos de Elizavetgrad, montando seu
cavalo Regent, e Tatiana no azul-marinho e azul do 8º Ulanos de Voznessensk,
montada em Robino.
Eram agora as mais jovens coronelas do mundo — e no dia
puderam demonstrar toda sua habilidade. “As duas grã-duquesas conduziram
uma manobra a galope diante do imperador”, escoltadas pelo grão-duque
Nikolai, comandante em chefe do Exército.
“Fazia calor e elas estavam muito
nervosas, mas foram encantadoras e deram seu melhor. Creio que o imperador
ficou muito orgulhoso assistindo à apresentação das filhas pela primeira e —
infelizmente! — última vez numa formação militar”, recordou o príncipe Gavríil
Konstantínovitch.
Mas esse era mais um marco em suas vidas que a mãe delas
estava doente demais para testemunhar, fechada em seu quarto, sofrendo de
mais um acesso de nevralgia.
Dois dias depois, a família foi para Livádia no calor de quarenta graus do
auge do verão. Alexei continuava mal e resmungava sobre os tratamentos com
banho de lama a que tinha de se submeter duas vezes por semana, que odiava.
Mas ele agora tinha seu tutor oficial. Nicolau e Alexandra originalmente haviam
considerado indicar alguém de sua comitiva militar ou naval, mas no fim
decidiram oferecer o posto a Pierre Gilliard.
Nem todo mundo aprovou; Gilliard
era um pedagogo impecável, muito correto e escrupuloso, mas bem pouco russo,
conforme observou Nikolai Vassílievitch Sáblin.
Alguns disseram que indicar
um suíço republicano para cuidar de um tsarévitch era inapropriado. Gilliard
aceitou a incumbência com apreensão considerável, pelo que ela representava,
tendo sido recém-informado em particular pelo dr. Derevenko de que Alexei
sofria de hemofilia. “Será que algum dia me acostumarei à terrível
responsabilidade que estou assumindo?”, perguntou a seu irmão Frederick numa
carta para casa.
Achou Alexei muito indisciplinado; em sua opinião, o
comportamento nervoso e irrequieto do menino era exacerbado pela constante
supervisão de Derevenko.
No fim de novembro, Alexei sofreu outro acidente,
caindo de uma cadeira em que subira na sala de aula e batendo a perna.
O
inchaço decorrente se espalhou rápido entre o joelho e o tornozelo. Outro marujo
do Shtandart, Kleménti Nagórni, fora incumbido recentemente de dividir com
Derevenko a tarefa de cuidar de Alexei, e se revelou “de uma bondade tocante”,
ficando com o menino até tarde da noite durante a mais nova crise, enquanto
suas irmãs abriam a porta a intervalos regulares e entravam na ponta dos pés
para beijá-lo.
Mais uma vez, as preces de Grigóri, que estava em Ialta na
época, pareciam ser a única coisa que o salvaria; mas, com a mesma alarmante
regularidade, como depois de qualquer ferimento, o frágil tsarévitch precisou de
meses de convalescença.
Em 9 de agosto, quando subiu a bordo do Shtandart em Sebastopol para a
viagem até Livádia e viu Pável Vóronov outra vez, Olga começou a se referir a
ele em seu diário como “S”. Era uma abreviatura para as palavras russas
sokrovishche (tesouro), solntse (luz do sol) e schaste (felicidade), que eram os
apelidos usados com frequência por ela para as pessoas de quem mais gostava.
Seu mundo inteiro pelo resto desse ano girou em torno de Pável Vóronov. Dia
após dia ela falava dele: “é tão chato sem S, horrível”; “é vazio sem ele”; “não vi
S e foi terrível”. Pável era a perfeição: doce, bondoso, gentil, precioso. O
tempo todo, por mais brevemente que fosse, ela sempre ficava “muito feliz,
incrivelmente feliz” em vê-lo.
De fato, Olga ficava desolada quando um único
dia transcorria sem que passasse algum tempo com o objeto de sua afeição e,
como adolescente apaixonada que era, agarrava a menor oportunidade de vê-lo
ou falar com ele. Essa experiência foi além do costumeiro flerte e paquera leves
em que ela e Tatiana vinham incorrendo nos últimos anos com os oficiais da
comitiva. Foi seu primeiro amor e ela sofreu.
Mas também não tinha o menor
futuro. Nenhum dos bem treinados oficiais no Shtandart jamais rompeu o código
de honra estrito, tácito, a que aderiam em suas relações com as filhas do tsar.
Vóronov claramente sentia atração por Olga, ficava comovido com sua atenção
e, sem dúvida, lisonjeado; quando a família deixou o navio e foi para o Palácio
Branco, seus colegas oficiais notaram como ele muitas vezes apontava seu
binóculo nessa direção, na esperança de avistar o vestido branco dela no balcão.
Olga fazia o mesmo de seu ponto de observação — talvez houvessem combinado
em segredo fazê-lo?
Fossem quais fossem os sentimentos de Pável Vóronov em seu íntimo, seu
relacionamento hesitante com a filha mais velha do tsar foi de um amor mantido
firmemente a distância: olhares furtivos, afetuosos e confidenciais, conversas
ocasionais durante o chá no convés, partidas de tênis, colar fotos em álbuns
juntos.
Havia até a ocasional oportunidade de acompanhá-la em pequenas
danças informais no convés do Shtandart, como o baile feito para comemorar o
aniversário de dezoito anos de Olga, durante o qual, como todos notaram, ela
dançou bastante com Vóronov.
Em dezembro de 1913, tendo passado a maior
parte dos cinco meses precedentes em sua companhia, os sentimentos de Olga
inevitavelmente se intensificaram e ela começou a confidenciá-los em um
código especial — algo que sua mãe também fizera na juventude —, usando
símbolos similares à cursiva escrita do georgiano. Pável era agora “seu amor
querido”, sugerindo um grau de sentimento recíproco da parte dele, e ela estava
mais feliz do que jamais estivera.
E então, em setembro, uma nota
preocupante apareceu em seu diário. Pável estava menos em evidência. Olga
passaria vários dias sem vê-lo: “É tão abominável sem meu S, horrível”; nem
mesmo encontrar seu querido amigo AKCH, que estava servindo na Escolta em
Livádia, a deixava animada.
A vida voltou à mesma rotina previsível de aulas
pela manhã, fazer companhia para a mãe ou o irmão doentes, jogar tênis e sair
em ocasionais caminhadas ou passeios a cavalo. Da decepção ao tédio, à
irritação e finalmente à indiferença fingida, Olga Nikoláevna passou por toda a
gama de sentimentos de uma adolescente apaixonada. Sua atenção se dispersou
nos dias sem S e, com volubilidade típica, hormonal, voltou seus pensamentos
outra vez para AKCH, usando um novo apelido para ele — Chúrik —,
lembrando-se de como era “adorável” e de como ficava bonito de uniforme,
usando “minha farda escura favorita”.
Aconteceu que durante o tempo que ficou longe Pável estivera fazendo
visitas aos Kleinmikhel, amigos íntimos da família Romanov, donos de uma
propriedade em Koreíz. Um dia, a condessa Kleinmikhel foi convidada ao
Palácio Branco para almoçar. Ela chegou trazendo sua jovem sobrinha Olga
consigo. De repente, tudo ficou claro; Pável Vóronov e Olga Kleinmikhel
estavam sendo direcionados um para o outro. Quando Olga Nikoláevna o viu em
um baile de caridade, pouco depois de outubro, notou desde já um
distanciamento de sua parte: “Vi meu S certa vez, durante a quadrilha, nosso
encontro foi um pouco estranho, um pouco triste, não sei”.
Pouco depois, com
sangue-frio adolescente característico, anunciou: “Estou acostumada a viver sem
a presença de S por perto, a essa altura”, mas como deve ter doído em 6 de
novembro, em uma pequena dança no Palácio Branco, quando notou que ele
“dançou o tempo todo com Kleinmikhels [sic]”.
Ela ficou magoada e dias
depois tentou mostrar indiferença: “É bom vê-lo e não é bom ao mesmo tempo.
Não lhe disse uma palavra e não quero”.
Sempre havia brincadeiras de
esconde-esconde no palácio com Chúrik e Rodiónov, nas quais ela “se
comportava ruidosamente”, e houve uma viagem para ver um filme em Ialta.
Mas quando voltou para casa, encontrou o mesmo cenário deprimente:
Alexei
chorando porque sua perna doía; sua mãe cansada e deitada, com o coração no
número dois. Em dezembro, Olga começara a ficar com medo de seus sentimentos por
S e de como eles ainda dominavam seus pensamentos, e desse modo foi uma
coisa boa que no dia 17 a família deixasse Livádia, embora nesse ano, em
particular, a partida tenha sido mergulhada em tristeza.
“Todos ficamos com
muita saudade da Crimeia”, escreveu Nicolau em seu diário.
Para Olga, era
um “tédio sem todos os amigos, o iate e S, claro”. E então, em 21 de dezembro,
ela recebeu a notícia: “Fiquei sabendo que S vai se casar com Olga Kleinmichael
[sic]”. A reação de Olga foi breve mas digna: “Que o Senhor lhe conceda a
felicidade, meu amado”.
49
Seria possível que Nicolau e Alexandra tivessem deliberadamente
planejado o noivado de Pável Vóronov com Olga Kleinmikhel de modo a poupar
Olga de novos sofrimentos, por sonhar com um envolvimento amoroso
impossível? Ficou patente para todos — e devia ser o mesmo para os seus pais —
que ela se apaixonara, embora ninguém saiba dos verdadeiros sentimentos de
Pável por ela.
Talvez ele tivesse percebido que sua amizade íntima com a grãduquesa começava a ultrapassar os limites do permitido e que devia desse modo
recuar e sumir de cena. Nicolau e Alexandra, sem dúvida, ficaram muito felizes
em dar sua calorosa aprovação ao seu noivado com Olga Kleinmikhel, mas para
Olga Nikoláevna foi duro, e sua reação foi suprimir a dor que estava sentindo,
mesmo em seu diário. Lidar com um coração partido era uma coisa, mas ter de
continuar a ver Pável com sua noiva era outra, assim como ter de escutar suas
irmãs animadamente discutindo o casamento iminente em Tsárskoe Seló.
Em janeiro, tia Ella chegou a Tsárskoe Seló com a condessa Kleinmikhel,
Olga e “S”; só que agora S — o amado de Olga, sua felicidade — era da outra
Olga, “não meu!”, como exclamou em seu diário. “Meu coração sofre, é
doloroso, não me sinto bem e dormi apenas por uma hora e meia.”
Nesse ano
o Natal foi triste para ela. Depois de visitar a avó no Palácio Anítchkov e
presentear os oficiais da Escolta, tudo voltou à velha rotina, com o clima de
inverno trazendo uma véspera de ano-novo terrivelmente gelada a Tsárskoe Seló:
“Às onze da noite tomei chá com papai e mamãe, e passamos o ano-novo na
igreja regimental. Agradeço a Deus por tudo. Uma nevasca. Nove graus
negativos”.
Toda a família Romanov achou a cerimônia de casamento de Pável
Vóronov, em 7 de fevereiro de 1914, na igreja regimental em Tsárskoe Seló,
muito comovente. Olga guardou seus sentimentos para si e não os revelou nem
em seu diário:
Por volta das 2h30, nós três sentamos com papai e mamãe. Fomos à igreja
regimental para o casamento de P. A. Vóronov e O. K. Kleinmikhel na
igreja regimental.
Que o Senhor lhes conceda a felicidade.
Estavam ambos
nervosos. Fomos apresentados aos pais de S e duas irmãs, meninas doces.
Fomos de carro para a residência dos Kleinmikhel. Havia muitas pessoas
presentes à recepção.
Logo depois, Pável Vóronov saiu de licença para dois meses com a
esposa, sendo em seguida transferido para o posto de comandante da guarda no
iate imperial Aleksandriya. Olga continuaria a vê-lo de tempos em tempos em
Tsárskoe Seló, e continuou a se referir a ele como “S” em seu diário, mas sua
breve experiência de um amor de verdade chegara ao fim. A esposa dele
recordou mais tarde que “de seus quatro anos servindo na proximidade da
família imperial, Pável conservou uma memória sagrada”. Mas Pável Vóronov
permaneceu a alma da discrição acerca de seu relacionamento com a grãduquesa Olga Nikoláevna; foi uma lembrança que levou consigo até o dia de sua
morte
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