segunda-feira, 3 de outubro de 2022

O Primeiro Amor de Olga Romanov, na idade adulta.



Olga apaixonou-se pela primeira vez em 1913 pelo Oficial Pavel Voronov. Antes dele teve alguns flertes inocentes com Oficiais, mas nada que dominasse seu coração como aconteceu com Pavel.

Um oficial subalterno do Iate Imperial, mas tal relacionamento teria sido impossível devido à diferença de posição entre eles. Voronov, portanto, ficou noivo algum tempo depois de uma mulher "de sua categoria". “É triste, angustiante. " 

Fonte: AS IRMÃS ROMANOV, de Helen Rappaport:

O recém-promovido tenente Pável Alekséevitch Vóronov tinha 27 anos e se juntara ao Shtandart em abril. No instante em que pisou a bordo, a 10 de junho, Olga de imediato criou uma ligação com ele. Às vezes, ficava sentada em sua companhia na casa de navegação, na proa, onde ele estava de serviço, ou aparecia para lhe ditar o diário de bordo.
 Em pouco tempo tinham seu cantinho favorito, entre a sala do telégrafo e uma das chaminés, onde muitas vezes ficavam sentados conversando com Tatiana e o favorito dela, Nikolai Rodiónov.
 Durante o dia, Pável às vezes se juntava às meninas e ao pai delas em terra firme, para disputar acaloradas e vigorosas partidas de tênis (ele era o parceiro de jogo favorito de Nicolau), sair para caminhadas ou nadar. De volta a bordo, assistiam a filmes e jogavam baralho. Tudo parecia muito inocente e correto, mas sob a superfície as emoções de Olga estavam em turbilhão.
 Todos gostavam do afável Pável Vóronov, principalmente Alexei, que Vóronov muitas vezes carregava quando ele não se sentia bem.
 No fim de junho, Olga escrevia que “ele é tão afetuoso” e aproveitava ao máximo todos os pequenos momentos de intimidade que conseguia, com frequência apenas sentando para olhá-lo quando ele estava trabalhando na ponte de comando. 
 Qualquer atividade da qual Pável estivesse ausente ou excluído era “chata”; quando ele estava presente, “era agradável e loucamente gostoso ficar com ele”. Em 6 de julho, seus sentimentos haviam se tornado mais profundos:
 “Ditei o diário de bordo para ele. Depois disso, sentamos no sofá até as cinco. Eu o amo, muito, demais”.  No dia 12 de julho, em seu último dia no Shtandart antes de voltarem a Peterhof, ela se sentou com Pável na casa de navegação até o último minuto.
 “Foi triste demais. O tempo todo em que a prancha de desembarque era preparada eu fiquei com ele. Desci do iate às quatro. Foi tão terrivelmente difícil me despedir do adorado Shtandart, dos oficiais e do meu querido [...]. Que Deus o proteja.” 
 Nas semanas que passou em Peterhof ela recebeu telefonemas ocasionais de Pável e também do leal Nikolai Sáblin, a quem tinha na mais alta estima. Isso ajudou a moderar a triste litania das indisposições quase diárias de sua mãe.

 O coração da mamãe doía, seu rosto doía, suas pernas doíam; estava cansada; estava com uma terrível dor de cabeça. Alexei também não se sentia bem, sentia dores “por acenar demais com os braços quando estava brincando”, de tal maneira que em meados de julho Grigóri foi chamado para vê-lo. 

Ele chegou às sete certa noite, sentou com Alexandra e Alexei e depois conversou um pouco com Nicolau e as meninas, antes de sair. “Logo depois que partiu”, anotou Nicolau em seu diário, “a dor no braço de Alexei começou a diminuir, ele se acalmou e pegou no sono”. 

 Olga muitas vezes se sentava com o irmão e a mãe quando não estavam bem, oferecendo conforto — assim como Tatiana — entre o ocasional passeio a cavalo ou jogo de tênis. 
Sua antiga paixão adolescente, AKCH, reaparecia na Escolta de vez em quando e ela ficava feliz em vê-lo, mas seus pensamentos continuavam principalmente com o Shtandart, que agora singrava o Mediterrâneo. 
No início de agosto, as duas irmãs mais velhas começaram a se preparar a sério para sua primeira aparição oficial em manobras do exército, que teriam lugar no dia 5 em Krásnoe Seló.
 Elas praticaram equitação por vários dias, aguardando o momento auspicioso em que passariam seus regimentos em revista, uniformizadas e a cavalo, pela primeira vez — Olga trajada em azul e vermelho com galões dourados do 3º Hussardos de Elizavetgrad, montando seu cavalo Regent, e Tatiana no azul-marinho e azul do 8º Ulanos de Voznessensk, montada em Robino.

 Eram agora as mais jovens coronelas do mundo — e no dia puderam demonstrar toda sua habilidade. “As duas grã-duquesas conduziram uma manobra a galope diante do imperador”, escoltadas pelo grão-duque Nikolai, comandante em chefe do Exército. 

 “Fazia calor e elas estavam muito nervosas, mas foram encantadoras e deram seu melhor. Creio que o imperador ficou muito orgulhoso assistindo à apresentação das filhas pela primeira e — infelizmente! — última vez numa formação militar”, recordou o príncipe Gavríil Konstantínovitch.

 Mas esse era mais um marco em suas vidas que a mãe delas estava doente demais para testemunhar, fechada em seu quarto, sofrendo de mais um acesso de nevralgia. Dois dias depois, a família foi para Livádia no calor de quarenta graus do auge do verão. Alexei continuava mal e resmungava sobre os tratamentos com banho de lama a que tinha de se submeter duas vezes por semana, que odiava. Mas ele agora tinha seu tutor oficial. Nicolau e Alexandra originalmente haviam considerado indicar alguém de sua comitiva militar ou naval, mas no fim decidiram oferecer o posto a Pierre Gilliard. 

Nem todo mundo aprovou; Gilliard era um pedagogo impecável, muito correto e escrupuloso, mas bem pouco russo, conforme observou Nikolai Vassílievitch Sáblin. 

 Alguns disseram que indicar um suíço republicano para cuidar de um tsarévitch era inapropriado. Gilliard aceitou a incumbência com apreensão considerável, pelo que ela representava, tendo sido recém-informado em particular pelo dr. Derevenko de que Alexei sofria de hemofilia. “Será que algum dia me acostumarei à terrível responsabilidade que estou assumindo?”, perguntou a seu irmão Frederick numa carta para casa. 

 Achou Alexei muito indisciplinado; em sua opinião, o comportamento nervoso e irrequieto do menino era exacerbado pela constante supervisão de Derevenko.
 No fim de novembro, Alexei sofreu outro acidente, caindo de uma cadeira em que subira na sala de aula e batendo a perna.
 O inchaço decorrente se espalhou rápido entre o joelho e o tornozelo. Outro marujo do Shtandart, Kleménti Nagórni, fora incumbido recentemente de dividir com Derevenko a tarefa de cuidar de Alexei, e se revelou “de uma bondade tocante”, ficando com o menino até tarde da noite durante a mais nova crise, enquanto suas irmãs abriam a porta a intervalos regulares e entravam na ponta dos pés para beijá-lo. 
 Mais uma vez, as preces de Grigóri, que estava em Ialta na época, pareciam ser a única coisa que o salvaria; mas, com a mesma alarmante regularidade, como depois de qualquer ferimento, o frágil tsarévitch precisou de meses de convalescença.
 Em 9 de agosto, quando subiu a bordo do Shtandart em Sebastopol para a viagem até Livádia e viu Pável Vóronov outra vez, Olga começou a se referir a ele em seu diário como “S”. Era uma abreviatura para as palavras russas sokrovishche (tesouro), solntse (luz do sol) e schaste (felicidade), que eram os apelidos usados com frequência por ela para as pessoas de quem mais gostava. Seu mundo inteiro pelo resto desse ano girou em torno de Pável Vóronov. Dia após dia ela falava dele: “é tão chato sem S, horrível”; “é vazio sem ele”; “não vi S e foi terrível”.  Pável era a perfeição: doce, bondoso, gentil, precioso. O tempo todo, por mais brevemente que fosse, ela sempre ficava “muito feliz, incrivelmente feliz” em vê-lo. 

De fato, Olga ficava desolada quando um único dia transcorria sem que passasse algum tempo com o objeto de sua afeição e, como adolescente apaixonada que era, agarrava a menor oportunidade de vê-lo ou falar com ele. Essa experiência foi além do costumeiro flerte e paquera leves em que ela e Tatiana vinham incorrendo nos últimos anos com os oficiais da comitiva. Foi seu primeiro amor e ela sofreu.

 Mas também não tinha o menor futuro. Nenhum dos bem treinados oficiais no Shtandart jamais rompeu o código de honra estrito, tácito, a que aderiam em suas relações com as filhas do tsar. Vóronov claramente sentia atração por Olga, ficava comovido com sua atenção e, sem dúvida, lisonjeado; quando a família deixou o navio e foi para o Palácio Branco, seus colegas oficiais notaram como ele muitas vezes apontava seu binóculo nessa direção, na esperança de avistar o vestido branco dela no balcão. Olga fazia o mesmo de seu ponto de observação — talvez houvessem combinado em segredo fazê-lo? 
 Fossem quais fossem os sentimentos de Pável Vóronov em seu íntimo, seu relacionamento hesitante com a filha mais velha do tsar foi de um amor mantido firmemente a distância: olhares furtivos, afetuosos e confidenciais, conversas ocasionais durante o chá no convés, partidas de tênis, colar fotos em álbuns juntos. 
Havia até a ocasional oportunidade de acompanhá-la em pequenas danças informais no convés do Shtandart, como o baile feito para comemorar o aniversário de dezoito anos de Olga, durante o qual, como todos notaram, ela dançou bastante com Vóronov. 
Em dezembro de 1913, tendo passado a maior parte dos cinco meses precedentes em sua companhia, os sentimentos de Olga inevitavelmente se intensificaram e ela começou a confidenciá-los em um código especial — algo que sua mãe também fizera na juventude —, usando símbolos similares à cursiva escrita do georgiano. Pável era agora “seu amor querido”, sugerindo um grau de sentimento recíproco da parte dele, e ela estava mais feliz do que jamais estivera. 

 E então, em setembro, uma nota preocupante apareceu em seu diário. Pável estava menos em evidência. Olga passaria vários dias sem vê-lo: “É tão abominável sem meu S, horrível”; nem mesmo encontrar seu querido amigo AKCH, que estava servindo na Escolta em Livádia, a deixava animada. 
 A vida voltou à mesma rotina previsível de aulas pela manhã, fazer companhia para a mãe ou o irmão doentes, jogar tênis e sair em ocasionais caminhadas ou passeios a cavalo. Da decepção ao tédio, à irritação e finalmente à indiferença fingida, Olga Nikoláevna passou por toda a gama de sentimentos de uma adolescente apaixonada. Sua atenção se dispersou nos dias sem S e, com volubilidade típica, hormonal, voltou seus pensamentos outra vez para AKCH, usando um novo apelido para ele — Chúrik —, lembrando-se de como era “adorável” e de como ficava bonito de uniforme, usando “minha farda escura favorita”. 
 Aconteceu que durante o tempo que ficou longe Pável estivera fazendo visitas aos Kleinmikhel, amigos íntimos da família Romanov, donos de uma propriedade em Koreíz. Um dia, a condessa Kleinmikhel foi convidada ao Palácio Branco para almoçar. Ela chegou trazendo sua jovem sobrinha Olga consigo. De repente, tudo ficou claro; Pável Vóronov e Olga Kleinmikhel estavam sendo direcionados um para o outro. Quando Olga Nikoláevna o viu em um baile de caridade, pouco depois de outubro, notou desde já um distanciamento de sua parte: “Vi meu S certa vez, durante a quadrilha, nosso encontro foi um pouco estranho, um pouco triste, não sei”. 
 Pouco depois, com sangue-frio adolescente característico, anunciou: “Estou acostumada a viver sem a presença de S por perto, a essa altura”, mas como deve ter doído em 6 de novembro, em uma pequena dança no Palácio Branco, quando notou que ele “dançou o tempo todo com Kleinmikhels [sic]”. 
 Ela ficou magoada e dias depois tentou mostrar indiferença: “É bom vê-lo e não é bom ao mesmo tempo. Não lhe disse uma palavra e não quero”. 
 Sempre havia brincadeiras de esconde-esconde no palácio com Chúrik e Rodiónov, nas quais ela “se comportava ruidosamente”, e houve uma viagem para ver um filme em Ialta. Mas quando voltou para casa, encontrou o mesmo cenário deprimente:
 Alexei chorando porque sua perna doía; sua mãe cansada e deitada, com o coração no número dois.  Em dezembro, Olga começara a ficar com medo de seus sentimentos por S e de como eles ainda dominavam seus pensamentos, e desse modo foi uma coisa boa que no dia 17 a família deixasse Livádia, embora nesse ano, em particular, a partida tenha sido mergulhada em tristeza. 

“Todos ficamos com muita saudade da Crimeia”, escreveu Nicolau em seu diário. 

 Para Olga, era um “tédio sem todos os amigos, o iate e S, claro”. E então, em 21 de dezembro, ela recebeu a notícia: “Fiquei sabendo que S vai se casar com Olga Kleinmichael [sic]”. A reação de Olga foi breve mas digna: “Que o Senhor lhe conceda a felicidade, meu amado”. 49 Seria possível que Nicolau e Alexandra tivessem deliberadamente planejado o noivado de Pável Vóronov com Olga Kleinmikhel de modo a poupar Olga de novos sofrimentos, por sonhar com um envolvimento amoroso impossível? Ficou patente para todos — e devia ser o mesmo para os seus pais — que ela se apaixonara, embora ninguém saiba dos verdadeiros sentimentos de Pável por ela. 

Talvez ele tivesse percebido que sua amizade íntima com a grãduquesa começava a ultrapassar os limites do permitido e que devia desse modo recuar e sumir de cena. Nicolau e Alexandra, sem dúvida, ficaram muito felizes em dar sua calorosa aprovação ao seu noivado com Olga Kleinmikhel, mas para Olga Nikoláevna foi duro, e sua reação foi suprimir a dor que estava sentindo, mesmo em seu diário. Lidar com um coração partido era uma coisa, mas ter de continuar a ver Pável com sua noiva era outra, assim como ter de escutar suas irmãs animadamente discutindo o casamento iminente em Tsárskoe Seló. Em janeiro, tia Ella chegou a Tsárskoe Seló com a condessa Kleinmikhel, Olga e “S”; só que agora S — o amado de Olga, sua felicidade — era da outra Olga, “não meu!”, como exclamou em seu diário. “Meu coração sofre, é doloroso, não me sinto bem e dormi apenas por uma hora e meia.” 

 Nesse ano o Natal foi triste para ela. Depois de visitar a avó no Palácio Anítchkov e presentear os oficiais da Escolta, tudo voltou à velha rotina, com o clima de inverno trazendo uma véspera de ano-novo terrivelmente gelada a Tsárskoe Seló: “Às onze da noite tomei chá com papai e mamãe, e passamos o ano-novo na igreja regimental. Agradeço a Deus por tudo. Uma nevasca. Nove graus negativos”. 

 Toda a família Romanov achou a cerimônia de casamento de Pável Vóronov, em 7 de fevereiro de 1914, na igreja regimental em Tsárskoe Seló, muito comovente. Olga guardou seus sentimentos para si e não os revelou nem em seu diário: Por volta das 2h30, nós três sentamos com papai e mamãe. Fomos à igreja regimental para o casamento de P. A. Vóronov e O. K. Kleinmikhel na igreja regimental. 
Que o Senhor lhes conceda a felicidade.
 Estavam ambos nervosos. Fomos apresentados aos pais de S e duas irmãs, meninas doces. Fomos de carro para a residência dos Kleinmikhel. Havia muitas pessoas presentes à recepção. 
 Logo depois, Pável Vóronov saiu de licença para dois meses com a esposa, sendo em seguida transferido para o posto de comandante da guarda no iate imperial Aleksandriya. Olga continuaria a vê-lo de tempos em tempos em Tsárskoe Seló, e continuou a se referir a ele como “S” em seu diário, mas sua breve experiência de um amor de verdade chegara ao fim. A esposa dele recordou mais tarde que “de seus quatro anos servindo na proximidade da família imperial, Pável conservou uma memória sagrada”. Mas Pável Vóronov permaneceu a alma da discrição acerca de seu relacionamento com a grãduquesa Olga Nikoláevna; foi uma lembrança que levou consigo até o dia de sua morte

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Olga e a Lei Sálica.

LEI SALICA . 


Assim como foi feita uma Lei pelo Czar Paulo I em que estabelecia a Lei Salica ( que é a proibição da subida de uma mulher ao Trono) outro Czar ( nesse caso Nicolau II)  poderia abolir essa Lei.

Afinal Leis podem ser desfeitas,  tal como Constituições são alteradas.

Mas, infelizmente o Czar Nicolau II aceitou a criação da Duma e esta bloqueou o Czar quando em 1912 quando Alex esteve em perigo grave de vida e o Czar pretendeu anular a Lei Sálica.

Porém ela  não estava talhada para ser Imperatriz devido á sua instabilidade emocional, apesar de ser muito inteligente.


O Czar chegou a constituir Olga Regente do irmão em 1912  caso ele, o Czar viesse a falecer, pois a vida do Czar sempre esteve em perigo por causa de terroristas infiltrados entre o povo.

O Czar ficou indignado quando o filho Alex esteve às portas da morte e o irmão apressou-se a casar com a companheira para ser reconhecido como Herdeiro.


Morrendo Alex e se o Grão Duque Miguel Alexandrovich recusasse o Trono , restaria  o Grão Duque Cirilo ( sendo que seu direito estava limitado pelo fato da mãe dele não era convertida á religião ortodoxa quando ele nasceu e por último ele traiu o primo apoiando a República de Kerensk e inclusive usava uma braçadeira vermelha no braço ), mas muitos iriam apoiar  Grão Duque Dimitri Pavlovch que estava exilado na altura pelo Czar por ter participado do plano de matar Rasputin em 30 de dezembro de 1916, mas isso em nada o impediria de reivindicar o Trono.


No livro: AS IRMÃS ROMANOV, está escrito que depois do nascimento de Maria o Czar esteve doente mas deixou claro que seu irmão, caso ele Nicolau morresse sem ter um Herdeiro Homem, quem o sucederia seria Olga.
 É também digno de nota que o após o Grão Duque Jorge morrer, em 1899  Nicolau recusou se a dar o titulo de Czarevche ao seu irmão Miguel, quando ainda só tinha as 3 filhas.

Nesse tempo, ainda não existia a Duma, o Czar poderia ter alterado a Lei Sálica, sem problema.


NOTA: Na abdicação forçada do Czar ele só nomeou Miguel seu Sucessor porque não queria se separar do filho em caso de exílio. E mesmo assim,  este não teve apoio por ser um Grão Duque sem descendência, pois seu casamento com uma plebeia  privava qualquer descendente seu ao Trono. 


Quanto a Cirilo Vladimirovich este Durante a Revolução de Fevereiro de 1917, após a abdicação do Czar, Cyril levou o seu regimento até à Duma e jurou lealdade ao governo provisório usando uma bracelete vermelha revolucionária no seu uniforme.

Isto foi um ato da mais alta traição e, estivesse o regime czarista ainda no activo, o mais provável seria a prisão ou mesmo a morte do grão-duque. Esta Acão representou uma grave ofensa para a família imperial e levou muitos dos seus membros a rejeitarem-no como herdeiro legitimo do trono.

Ainda que ele após a Revolução tenha se denominado Chefe da Família Romanov, seu direito ficou manchado por sua traição.

sábado, 12 de maio de 2018

Cativeiro e execução de Olga e sua família.


Em  Fevereiro  de  1917,  Olga  e  Alex  contraíram  sarampo.
Mais  tarde  todas  as  irmãs  ficaram  doentes.
Quando  ela  recuperou,  seu  pai  já  havia  abdicado  e  estava  prisioneira  em  CzarKoye Selo
com  toda  sua  família.

Enquanto  durou  seu  cativeiro  no  Palácio,  ela  não  sofreu  depressão,  conseguiu  se  aguentar.

Ainda  tinha  esperanças  (assim como  toda  sua  família )  que  seriam  mandados  para  a  Criméia.
Porém  quis  aprender  a  atirar  e  conseguiu  uma  arma  a  qual  levaria  para  Tobolsk,  tendo  sido  aconselhada  mais  tarde  pelo  Comandante  a  não  leva-la  para  Ekaterinburgo-Mansão Ipatiev.

Poema que escreveu  para  a  mãe  em  TsarKoe  Selo:

Você é cheia de angústia Pelo sofrimento dos outros. E nunca ignorou O sofrimento de ninguém. Você é inflexível Só consigo mesma, Sempre fria e impiedosa. Mas se ao menos pudesse olhar Sua tristeza de longe, Ao menos uma vez com espírito terno — Oh, como teria piedade de si mesma. Como choraria com tristeza. 


Após  uma  longa  viagem,  por  ordem  de  Kerensky,  chegaram  a  Tobolsk  em  Agosto  de  1917.




Tobolsk,  a  residência  do  antigo  Governador.
Serviu  de  « lar»  para  a  Família  Real  de  Agosto  de  1917  a  Abril  de  1918.

Em Tobolsk os meses de verão decorreram com relativa paz , porém o tédio foi tomando conta de todos pela falta de espaço e as atividades consistiam em cortar lenha .

No  inverno a casa era um autêntico gelo, mesmo assim a família conseguiu celebrar o Natal .Inclusive a  Czarina  e  as  filhas  tricotaram  para  os  soldados  e a  Czarina  pintou  marcadores  para  livros.

“Depois da ceia na véspera de Natal”, Olga escreveu para Rita:

 Entregamos os presentes para todo mundo, a maioria consistindo em vários itens bordados por nós mesmas. Quando os estávamos separando e decidindo o que dar para quem, nos lembramos muito de nossos bazares de caridade em Ialta. Lembra quanto tempo sempre levava para ficar pronto? A gente tinha as vésperas por volta das dez da noite anterior e a árvore era acesa. Era agradável e aconchegante. O coro era grande e cantava bem, só que muito como um concerto, que eu não gosto.



Olga, que sempre havia sido uma ávida leitora, nesse tempo dedicou-se mais a leitura religiosa e a poesia.

Embora tivesse se habituado a trabalhar desde o cativeiro em Tsarkoe Selo, não gostava de trabalho doméstico.

Um  amigo  da   Família  Real  Serguei  Bekhtéev mandou  alguns  poemas  para  eles  e  Olga  respondeu-lhe:

Papai me pede para dizer a todos que permaneceram leais a ele e àqueles sobre os quais eles possam exercer alguma influência que não devem vingá- lo, pois perdoou todo mundo e reza para todos; que eles próprios não busquem vingança; que devem lembrar que o mal que há no mundo se tornará ainda mais poderoso e que não é o mal que vence o mal — só o amor.



As condições do cativeiro em Tobolsk agravaram-se quando a Guarda foi mudada em Março de 1918 por terríveis soldados bolcheviques.

A partir de então o que antes era uma dúvida, passou a ser uma certeza para muitos da Comitiva e também para a Família Real, Olga, Alexei e o Czar.

O Czar pensava que só o iam executar a ele e procurou se incriminar no Diário, achando que deixariam sua família livre.


Porém o Czar e a Czarina não tem desculpa de não terem sequer tentado porem seus filhos a salvo quando tiveram chance de fugir, durante vários meses em tobolsk.

A Guarda era  relaxada  na  vigilância, a cidade era monarquista e entretanto eles não aceitavam a idéia  de se separarem dos filhos para que ficassem em segurança.

O mais absurdo ainda foi o facto que ambos recusavam-se a fugirem junto com a família da Rússia, achando que estariam seguros em outra parte do País.Mas Nicolau e Alexandra haviam ambos permanecido inflexíveis em que não contemplariam nenhum “resgate” que envolvesse a família sendo separada “ou deixando o território russo”.  Fazer isso, como Alexandra explicou, significaria para eles romper seu “último elo com o passado, que então estaria morto para sempre”.


Alexei  na  altura  ficou  muito  doente  e  confidenciou  á  mãe:

“Quero morrer, mamãe; não tenho medo da morte”. A morte não o intimidava porque seus temores estavam em outra parte. “Estou com muito medo do que podem fazer conosco aqui.” 



Olga nessa altura já se encontrava em  depressão e sua saúde desde que apanhou sarampo antes da abdicação do pai, continuava debilitada.

Durante algum tempo conseguiu demonstrar otimismo para não entristecer o pai, na prisão domiciliar em Czar koe Selo e em Tobolsk também.
Inclusive chegou a trazer um revólver escondido na bota porque já temia pela vida dos seus e só depois de muita insistência de um Comandante amigo, Kobilynsk que alertou que se houvesse uma revista achariam a arma e viriam consequências.

Ela entregou a arma e a preocupação e ansiedade fragilizou ainda mais sua abalada saúde.
Tudo indica que ela nunca mais iria recuperar a saúde.

Por  isso  que  quando  chegou  a  Ordem  que  o  Czar  teria  que  ser  transferido ( como  a  família  não  poderiam  seguir  viagem  por  causa  do  grave  estado  de  Alexei ),  a  Czarina  seguiu  com  o  Czar  escolhendo  Maria  para  acompanha-la  já  que  Olga  além  de  ter  saúde  debilitada  também  estava   deprimida.


Os  primeiros  dias  após  a  partida  dos  pais  foram  terríveis  para  as  irmãs  e  Alex.
Olga  porém  reuniu  forças  para  junto  com  as  irmãs  entreter  Alexei  e  esconder  junto  com  as  irmãs  as  jóias  que  a  mãe  havia  dado  ordem  que  as  escondessem  em  roupas  interiores,  forro  de  chapéus  e  mesmo fazendo  de  botões  forrados.
Uma  infeliz  decisão  da  Czarina,  como  veremos  mais  tarde  esses  diamantes  foram  a  agonia  delas  na  hora  da  morte.

Chegou  a  Páscoa  de  1918,  a  primeira  que  a  família  passou  separada  e  a  última  da  vida  deles.

Olga  escreveu  no  sábado:

“Gostaríamos tanto de saber como vocês celebraram essa Festa da Luz e o que estão fazendo”, continuou Olga no sábado de Páscoa, “a Liturgia da Meia-Noite e a Vigília foram muito bem. Foi lindo e íntimo. Todas as lâmpadas laterais estavam acesas, mas nenhum candelabro, havia luz suficiente.

Nessa manhã, cumprimentaram a comitiva e distribuíram ovos de Páscoa e pequenos ícones, do modo que a mãe delas sempre fizera; e comeram os tradicionais kulitch e pashka.
A  Páscoa  do  Casal  Real  e  de  Maria  fora extremamente modesta: trouxeram comida da cantina comunal na cidade e vários de seus pertences estavam em péssimas condições, empoeirados e sujos da viagem acidentada.

A  última  carta  de  Olga:

“Como estão sobrevivendo e o que estão fazendo?”, perguntou Olga, no que seria sua última carta de Tobolsk. “Como adoraria estar com vocês. Ainda não sabemos quando vamos partir [...]. Que Nosso Senhor a proteja, minha querida e adorada mamãe, e todos vocês. Um beijo no papai, em você e M., muitas e muitas vezes. Eu os estreito em meus braços com amor. Sua Olga.”


Quando saíram de Tobolsk, a bordo do Rus, Olga e as irmãs sofreram assédio sexual por parte dos guardas.

Foi uma dificil viagem de 3 dias.


Quando reencontraram os pais e á Maria, foi uma alegria de pouca dura por causa do terrível cativeiro que foi a mansão Ipatiev.


Além da cerca alta que havia ao redor da casa, caiaram as janelas, não lhes permitiam tomar banho e restringiram muito a alimentação deles.

As doações que lhes chegavam de leite, ovos e creme para Alexei, eram roubadas pelos guardas.

Inúmeros de seus pertences pessoais foram confiscados.

Não podiam receber cartas, nem envia-las, mas o pior de tudo foram as humilhações.
Olga  nesse  cativeiro  afundou-se  em  depressão,  como  testemunhou  um  Guarda:

Aleksei Kabánov, lembrou sua visível infelicidade, como mal falava e “não se comunicava com os demais membros da família, exceto o pai” — com quem sempre caminhava de braços dados durante a recreação no jardim. 

No  dia  16  de  Julho  de  1918,  foi  acordada  com  toda  sua família  pela  Guarda  e  enganados  para  ir  ao  porão  sob  desculpa  de  « estarem  seguros  do  tiroteio  na  cidade»  e  que  « aproveitariam  para  tirar  uma  foto».
Quando  entraram na sala  os  marginais  bolcheviques  e  o  líder  deles  leu  a  ordem  de  execução,
Olga  assim  como  a  mãe  ainda  tentaram  fazer  o  sinal  da  cruz  mas  foram  derrubadas  pelos  tiros.
Olga  assistiu  a  morte  de  seus  adorados  pais  e  de  sua  adorada  irmã  Tatiana,  vindo  a  morrer  de  um  tiro  após  ter  sido  esfaqueada.

Meu  pensamento  sobre  Olga:  ela  tinha  um  temperamento  explosivo,  porém  seu  bom  coração  compensava  essa  falta.






Vídeo  em  homenagem  a  Olga  Romanov.

Trechos sobre Olga Romanov por quem a conheceu:
A Olga era a menina mais adorável e as pessoas gostavam dela desde o momento em que a olharam. Quando criança ela era franca, aos 15 anos ela era bela. Ela tinha menos de meia altura, com uma compleição jovial, profundos olhos azuis, muitos cabelos castanho claros, e mãos e pés bonitos. Ela levava a vida à sério, e era uma menina inteligente, com uma disposição agradável.-Lili Dehn em "The Real Tsarita",




A mais velha, Olga Nikolaevna, possuía um cérebro extraordinariamente rápido. Ela tinha um grande poder de racionalização, bem como de iniciativa, tinha uma atitude muito independente e um dom para responder rapidamente. Ela deu-me muito trabalho no começo, mas os nossos desentendimentos iniciais foram rapidamente sucedidos por uma relação de franca cordialidade. Ela aprendia qualquer coisa extremamente rápido, e tentava sempre dar um significado original para o que estava aprendendo. Eu lembro-me bem como, na nossa primeira aula de gramática, quando eu estava explicando a formação dos verbos e o uso do auxiliares, ela logo me interrompeu dizendo "Eu entendi, monsieur. Os auxiliares são os servos dos verbos. Só o pobre "avoir" é que tem de se mudar sozinho.-Pierre Gilliard em "Thirteen Years at the Russian Court",



Olga Nikolaevna tinha um temperamento explosivo. E às vezes contrariava-se quando se sentia ofendida.-Baronesa Sophie Buxhoeveden,



Ela tinha um temperamento quente, mas não guardava ressentimentos. Tinha o coração do seu pai, mas faltava-lhe a sua consistência.-Sydney Gibbes,




A Olga era talvez a mais franca de todas, a sua mente era muito rápida para compreender ideias, e absorvia tanto conhecimento que ela aprendia algo sem aplicação ou sem ter estudado a fundo. As suas principais características, eu devo dizer, eram uma forte força de vontade e um singular hábito de sinceridade no pensamento e ação. Qualidades admiráveis numa mulher, essas mesmas características eram ocasionalmente difíceis de lidar na infância, e Olga quando pequena às vezes mostrava-se incontrolável e desobediente. Ela tinha um temperamento quente o qual, aprendeu a controlar rapidamente e se fosse permitido a ela viver sua vida normalmente ela teria sido, eu acredito, uma mulher de influência e distinção.-Anna Vyrubova em "Memories of the Russian Court"





As meninas eram todas muito bonitas. A mais velha, Grã-duquesa Olga Nikolaevna, era loira e alta, com risonhos olhos azuis, o nariz um tanto quanto pequeno, o qual ela chamava ‘meu humilde nariz arrebitado’, e dentes adoráveis. Ela era uma notável graciosa figura e uma bela amazona e dançarina. Ela era a mais franca das irmãs, e era muito musical, tinha, o que os professores falavam, um ‘ouvido absolutamente correto’. Ela conseguia tocar de ouvido qualquer coisa que ouvia e conseguia reproduzir peças complicadas de música, tocar o acompanhamento mais difícil só de olhar e seu toque no piano era encantador. Ela cantava belamente como mezzosoprano. Era preguiçosa ao praticar, mas quando o espírito a movia, podia tocar por horas. Olga Nikolaevna era muito direta, às vezes falava muito claramente, mas sempre sincera. Ela tinha um grande charme e podia ser a mais alegre das alegres. Quando pequena, seus infortunados professores foram vítimas de todas as brincadeiras possíveis praticadas por ela. Quando cresceu estava sempre disposta para qualquer diversão. Ela era generosa, e um apelo para ela encontrava-se com uma resposta imediata. 'Oh, alguém tem que ajudar o pobre fulano de tal. Eu devo fazer isso de alguma forma’. Ela falava... Olga Nikolaevna era devota ao pai. O horror da Revolução a afiou mais do que a qualquer dos outros. Ela mudou completamente, e todo o seu espírito vivo desapareceu.-Baronesa Sophie Buxhoeveden em "The Life and Tragedy of Alexandra",



Leitora ávida e poetisa de talento considerável. A despeito da diferença de idade a Grã-duquesa Olga era particularmente amiga de meu pai, a quem ela se sentia livre para discutir qualquer coisa que a interessava ou aborrecia. Ela dizia sempre que meu pai era um ‘ poço fundo de idéias profundas’ e até mesmo dirigia-se a ele em cartas como ‘Querido Poço’ Olga e eu trabalhávamos seriamente com poesia e a Grã-duquesa ficou interessada em meus versos. Seu interesse naturalmente acrescentou mais entusiasmo em meus esforços, e daí em diante eu submeti cada novo pedaço de verso escrevendo-o a Olga, o qual ela analisava muito cuidadosamente, geralmente dando-me valiosos conselhos, e trocando opiniões sobre rimas, ritmos e outros problemas que eu suponho preocupar os poetas. Assim foi que eu conheci e apreciei o caráter fino e sensível da Grã-duquesa Olga... Ela era por natureza uma pensadora e como me pareceu mais tarde, entendia da situação geral melhor do que qualquer outro membro da família, incluindo até seus pais. Por fim, eu tive a impressão de que ela tinha poucas ilusões em relação ao que o futuro ia reservar a eles, e em conseqüência estava ocasionalmente triste e aflita. Mas tinha uma doçura em seu redor que evitava afetar alguém em uma maneira depressiva, até mesmo quando ela se sentia assim.-Gleb Botkin,




Olga aos dezessete anos já era uma jovem senhorita, mas ela continuava a agir como uma garota. Tinha bonitos cabelos claros, seu rosto – largo e oval – era puramente russo, não particularmente regular, mas seu extraordinário colorido e seu belo sorriso, que revelavam já notáveis, dentes brancos, davam a ela grande jovialidade... O caráter de Olga era mesmo, bom, com uma amabilidade quase angelical.-A.A. Mossolov em "At the Court of the Last Tsar"






Oração de Olga encontrada em Ipatiev:




"Dai-nos, Senhor, a paciência, neste ano de dias de tempestade e cheios de trevas, para conseguirmos sofrer a opressão popular e as torturas dos nossos carrascos. Dai-nos a força, ó Senhor da justiça para perdoarmos o mal dos nossos irmãos e para carregar a Cruz tão pesada e sangrenta, com a tua humildade. Nos dias em que os inimigos nos roubam, que consigamos suportar a vergonha e a humilhação, Cristo, nosso salvador, ajuda-nos. Mestre do mundo, Deus e do Universo, abençoa-nos com rezas e dá às nossas almas o humilde descanso nesta hora horrível e insuportável. No limiar da nossa sepultura, respira para os lábios dos teus humildes escravos força maior do que a força humana - para rezar pelos nossos inimigos.

DIÁRIO  DE  OLGA  ROMANOV:


https://www.goodreads.com/book/show/17795465-the-diary-of-olga-romanov

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Olga Romanov




Olga  Nikolaevna Romanov  nasceu  em 15 de novembro de 1895 –  foi a filha mais velha do imperador Nicolau II da Rússia e sua esposa a imperatriz Alexandra Feodorovna.

Desde a mais tenra infância foi muito ligada a sua irmã mais nova Tatiana, somente 1 ano e meio mais nova que ela.
Adorava o pai.
Também viria a ter um bom relacionamento com sua irmã mais nova Anastácia.

Até seus 8 anos, sua mãe a chamava de sua pequena Imperatriz e a habituava a beija-mãos ocasionais por parte das damas, até nascer Alex tendo ela quase 9 anos então.







Olga  em  1904,  quando  nasceu  Alex.

Personalidade de Olga: 


Olga revelou-se uma criança inteligente, aplicada aos estudos.
Adorava ler e aprender sobre os costumes do seu povo.
Era a mais inteligente dentre suas irmãs.
Olga era estudiosa, muito sensível, generosa mas temperamental e avessa ao trabalho doméstico.
Tinha muita vivacidade, tendo a perdido no cativeiro, por ser extremamente sensível e emotiva.

Era frágil para suportar os embates da vida.
Infelizmente também a instabilidade jogava contra ela porque de seu natural sereno e alegre, passava facilmente a melancolia.
Sua mãe exigia muito dela, em termos de dar sempre bom exemplo para as irmãs e supervisionar Alex.
Olga teve discussões sérias com a mãe porque sentia-se muito cobrada.
Ainda que Olga ás vezes fosse explosiva, não obstante ela tinha bom coração.

Nunca deixou de prestar auxílio quando podia a quem lhe pedisse.
Desde criança, se preocupava com todos que pedissem ajuda, chegando mesmo a doar sua mesada para contribuir, pedindo aos empregados que não contassem a ninguém.

Embora durante sua adolescência tivesse por vezes uma relação conflituosa com a mãe,
porém cuidava dela com devoção assim como também Tatiana.

Dentre suas irmãs, era a única que ainda que amasse a mãe, não a idolatrava tal como suas irmãs o faziam.

Admirava muito o pai, a tal ponto de trazer sempre uma medalha de São Nicolau.

Era mais extrovertida que Tatiana.
Tinha um charme especial e considerada mais sedutora, ainda que não fosse considerada uma beleza como Tatiana.


As vezes era brusca com criados quando era contrariada e era por natureza um pouco rude.


Como qualquer menina da sua idade, sentia a falta de outras meninas, porque a Czarina
proibia contacto com as meninas da nobreza, dizendo que as irmãs tinham-se umas as outras.

Como as criadas eram senhoras obviamente que não havia escolha.
É sabido que a Czarina as mantinha assim nessa reclusão, por temer que se desviassem
por comportamentos impróprios das jovens da realeza, algo que ela chamava de:
Desgraça  russa .
 Porém  deveria  as  ter  habituado  a  enxergarem  o  certo  e  o  errado.

A única amiga de Olga que convivia com ela no Palácio ( já na idade adulta ) que era jovem como ela, da mesma idade era Margarida Khitrovo, chamada por Rita na Família Romanov.
Era dama da czarina e mais tarde foi enfermeira junto com a Czarina e as filhas.
Era amiga de todas as meninas, mas era muito devotada á Olga.



Olga á direita com sua devotada amiga Margarita “Rita” Khitrovo, na praia em 1916.


A vida rotineira das Grã-Duquesas só era quebrada no verão quando então viajavam no iate Standart para a Criméia ou Escandinávia.

Durante a maior parte do ano, viviam em quase reclusão, sem terem permissão para participarem de qualquer Evento Social.

Quando fez 16 anos, teve uma festa especial tal como era costume na Corte.
Pela primeira vez tinha um colar e brincos e o cabelo era preso ou cortado.
Começava a idade adulta.
Foi um dia muito feliz para Olga, a qual só havia ido com o pai á Ópera uma vez.






















Olga  em  seu  baile  dos  16  anos  em  1911, rodeada  por  Oficiais.




Desde a infancia de Olga que era desejo do Czar casa-la com o primo dele, Grão Duque Dimitri, apenas 5 anos mais velho que Olga.
Em 1912, um noivado foi falado mas a Czarina não deixou  ir adiante o desejo do Czar por causa da reputação de Dimitri, algo que poderia ter mudado o rumo dos acontecimentos, pois quando mais tarde o Czar abdicou e seu irmão renunciou a ser Czar, Dimitri como herdeiro masculino e casado com a filha mais velha do Czar, poderia assumir o Trono.
Apesar de nem Olga, nem Dimitri estarem apaixonados, todavia havia uma grande amizade entre eles.




   Olga  teve  vários  pretendentes  reais  ,  mas  para  ela  ela  (  tal  como  para  suas  irmãs )
estava  fora  de  questão  casar-se  com  um  Principe  estrangeiro.



E no 300ª da Dinastia Romanov, em 1913 apaixonou-se por Pavel Alekseyevich Voronov .








Em seu diário, Olga parecia incrivelmente feliz em passar o tempo com ele, mas no final do ano ela enfrentava o coração partido: Pavel ficou noiva de outra Olga - uma amiga da família Romanov, Olga Kleinmichel. A Grã-Duquesa só se atreve a escrever sobre isso em seu diário em um código especial que ela havia criado.



Durante  esse  tempo  começou  a  perder  peso,  pois  como  era  uma  jovem  a  frente  do  seu  tempo,  interessava-se  por  política lendo  jornal  todos  os  dias  e  procurando  saber  a   opinião  pública  através  de  amigos  fora  do  palácio  e  o  que  tomou  conhecimento a  respeito  da  sua  família,  a  afligiu  muito.
Refletiu  então  que:

Rasputin  causava  mais  mal  do  que  bem  a  sua  família.



Olga até então era a mais famosa das filhas do Czar, tanto na Rússia como no estrangeiro até a infeliz entrada da Rússia na guerra, quando então Tatiana se tornou a mais famosa por causa do seu Comitê e suas aparições públicas.



Olga  na  que  eu  considero  sua  mais bela  foto,  entre  1913-1914.

Recusou casar com o Principe Carol, herdeiro da Roménia em 1913 e mais tarde quando ele visitou a Rússia em 1917.

Era uma moça á frente do seu tempo, que se informava sobre a opinião pública através de amigos fora do palácio e de jornais.
Na idade adulta, estava mais bem informada que os seus pais sobre a real situação do País.


Não há registro de nenhuma paixão por um Príncipe russo, mas nisso podemos dizer que também seus pais em particular a Czarina não as deixavam conviver com a nobreza, restando assim somente Oficiais, homens com os quais por Lei nunca poderiam casar por Lei, só morganaticamente.


Primeira  Guerra  Mundial :

Com  o  estourar  da  1ª  Guerra  Mundial, seu  estado  emocional  se  agravou porque  não  suportava  o  tormento  na  sala  de  operações.
Nunca  teve  a  força  física  de  Tatiana,  nem  seu  equílibrio,  o  que  contrastava  com  sua  personalidade  mais  forte.

Posteriormente  os  pais  a  designaram  para  trabalhos  mais  amenos  como:
conversar  com  os  pacientes,  distraí-los  a  tocar  piano,  fazer  curativos  e  quando
tinha  seu  estado  emocional  permitia,  era  secretária  do  pai.

Olga, teria sido uma excelente Regente se o czar a tivesse nomeado no lugar da mãe, em 1915.
A Czarina era manobrada por Rasputin acrescendo também que o fato de a Czarina ser alemã só exacerbou o ódio contra ela nesse período.

Olga que tinha visão política, teria sabido tomar sábias decisões, inclusive teria afastado Rasputin sendo ela a única da família a perceber o perigo que ele representava.

O Czar amava todas as suas filhas, mas nos últimos anos Olga foi sua favorita porque tornou se sua secretária no tempo da Primeira Guerra e também era a única das filhas que sabia o informar sobre a opinião pública porque estava mais bem informada que o pai, através de amigos fora do palácio e leitura diária de jornais.
Ele também se confidenciaria com ela e em Tobolsk chegou a lhe entregar um revolver que Olga trazia escondido na bota.

A  Czarina  frequentemente  se  queixou  ao  Czar  do  mau-humor  de  Olga  e  da  hostilidade  dela  com  suas  ordens.

Em  1915,  encontrou  um  bálsamo  para  sua  dor  quando  conheceu Dmítri Shakh-Bagov.


Dmítri Shakh-Bagov,  o  Oficial  por  quem  Olga  se  apaixonou  perdidamente.

Conheceram-se em 1915,  sendo  ele  paciente  dela  na  Cruz  Vermelha,
conhecido  por  ela  como  Mitya.

Olga  cuja  fraqueza  foi  nunca  ter  tido  auto-controle,  tendo  sempre  ficado  refém  do  seu  temperamento (  fosse  explosoões  de  mau-humor,  indignação )  também  nunca  conseguiu  controlar  seu  amor por  este  jovem  Oficial, tendo  ficado  em  grande  depressão  quando  ele  teve  que  partir  da  enfermaria  para  a  guerra.

Toda a família Romanov estava ciente do apego da grã-duquesa Olga a Mitya , que frequentemente era convidado para tomar chá no Palácio de Alexandre, junto com alguns outros oficiais. 

A  Czarina  simpatizou  com  ele,  tal  como  toda  família  e  chegou  a  ser  promovido  a Tenente  pelo  Czar.

Dmítri Shakh-Bagov também estava apaixonado por ela a tal ponto que
jurou  matar Rasputin para os salvar.

Infelizmente  a  guerra  os  separou.


A última vez que se viram foi no Natal de 1916 - o último Natal da Rússia Imperial, Foram semanas muito ansiosas e o último adeus debaixo da árvore de Natal: Mitya estava indo para o seu regimento. Aparentemente, a última menção dele no diário de Olga Romanov fez em seu aniversário (02/09/1917): “ Hoje, Mitya completou 24 anos (Shakh-Bagov). Que Deus o salve .
Aparentemente, eles nunca mais se viram depois de 27 de dezembro de 1916. 

Abaixo  foto  de  Olga  com  a  Família  no  feliz  ano  de  1913,  no  300º  da  Dinastia:


Olga em especial na guerra foi extremamente generosa, doando boa parte da sua fortuna pessoal que herdou aos 20 anos á populações afetadas pela guerra.

CONTINUAÇÃO  NO  PRÓXIMO  POST.





O Primeiro Amor de Olga Romanov, na idade adulta.

Olga apaixonou-se pela primeira vez em 1913 pelo Oficial Pavel Voronov. Antes dele teve alguns flertes inocentes com Oficiais, mas nada que ...