sábado, 12 de maio de 2018

Cativeiro e execução de Olga e sua família.


Em  Fevereiro  de  1917,  Olga  e  Alex  contraíram  sarampo.
Mais  tarde  todas  as  irmãs  ficaram  doentes.
Quando  ela  recuperou,  seu  pai  já  havia  abdicado  e  estava  prisioneira  em  CzarKoye Selo
com  toda  sua  família.

Enquanto  durou  seu  cativeiro  no  Palácio,  ela  não  sofreu  depressão,  conseguiu  se  aguentar.

Ainda  tinha  esperanças  (assim como  toda  sua  família )  que  seriam  mandados  para  a  Criméia.
Porém  quis  aprender  a  atirar  e  conseguiu  uma  arma  a  qual  levaria  para  Tobolsk,  tendo  sido  aconselhada  mais  tarde  pelo  Comandante  a  não  leva-la  para  Ekaterinburgo-Mansão Ipatiev.

Poema que escreveu  para  a  mãe  em  TsarKoe  Selo:

Você é cheia de angústia Pelo sofrimento dos outros. E nunca ignorou O sofrimento de ninguém. Você é inflexível Só consigo mesma, Sempre fria e impiedosa. Mas se ao menos pudesse olhar Sua tristeza de longe, Ao menos uma vez com espírito terno — Oh, como teria piedade de si mesma. Como choraria com tristeza. 


Após  uma  longa  viagem,  por  ordem  de  Kerensky,  chegaram  a  Tobolsk  em  Agosto  de  1917.




Tobolsk,  a  residência  do  antigo  Governador.
Serviu  de  « lar»  para  a  Família  Real  de  Agosto  de  1917  a  Abril  de  1918.

Em Tobolsk os meses de verão decorreram com relativa paz , porém o tédio foi tomando conta de todos pela falta de espaço e as atividades consistiam em cortar lenha .

No  inverno a casa era um autêntico gelo, mesmo assim a família conseguiu celebrar o Natal .Inclusive a  Czarina  e  as  filhas  tricotaram  para  os  soldados  e a  Czarina  pintou  marcadores  para  livros.

“Depois da ceia na véspera de Natal”, Olga escreveu para Rita:

 Entregamos os presentes para todo mundo, a maioria consistindo em vários itens bordados por nós mesmas. Quando os estávamos separando e decidindo o que dar para quem, nos lembramos muito de nossos bazares de caridade em Ialta. Lembra quanto tempo sempre levava para ficar pronto? A gente tinha as vésperas por volta das dez da noite anterior e a árvore era acesa. Era agradável e aconchegante. O coro era grande e cantava bem, só que muito como um concerto, que eu não gosto.



Olga, que sempre havia sido uma ávida leitora, nesse tempo dedicou-se mais a leitura religiosa e a poesia.

Embora tivesse se habituado a trabalhar desde o cativeiro em Tsarkoe Selo, não gostava de trabalho doméstico.

Um  amigo  da   Família  Real  Serguei  Bekhtéev mandou  alguns  poemas  para  eles  e  Olga  respondeu-lhe:

Papai me pede para dizer a todos que permaneceram leais a ele e àqueles sobre os quais eles possam exercer alguma influência que não devem vingá- lo, pois perdoou todo mundo e reza para todos; que eles próprios não busquem vingança; que devem lembrar que o mal que há no mundo se tornará ainda mais poderoso e que não é o mal que vence o mal — só o amor.



As condições do cativeiro em Tobolsk agravaram-se quando a Guarda foi mudada em Março de 1918 por terríveis soldados bolcheviques.

A partir de então o que antes era uma dúvida, passou a ser uma certeza para muitos da Comitiva e também para a Família Real, Olga, Alexei e o Czar.

O Czar pensava que só o iam executar a ele e procurou se incriminar no Diário, achando que deixariam sua família livre.


Porém o Czar e a Czarina não tem desculpa de não terem sequer tentado porem seus filhos a salvo quando tiveram chance de fugir, durante vários meses em tobolsk.

A Guarda era  relaxada  na  vigilância, a cidade era monarquista e entretanto eles não aceitavam a idéia  de se separarem dos filhos para que ficassem em segurança.

O mais absurdo ainda foi o facto que ambos recusavam-se a fugirem junto com a família da Rússia, achando que estariam seguros em outra parte do País.Mas Nicolau e Alexandra haviam ambos permanecido inflexíveis em que não contemplariam nenhum “resgate” que envolvesse a família sendo separada “ou deixando o território russo”.  Fazer isso, como Alexandra explicou, significaria para eles romper seu “último elo com o passado, que então estaria morto para sempre”.


Alexei  na  altura  ficou  muito  doente  e  confidenciou  á  mãe:

“Quero morrer, mamãe; não tenho medo da morte”. A morte não o intimidava porque seus temores estavam em outra parte. “Estou com muito medo do que podem fazer conosco aqui.” 



Olga nessa altura já se encontrava em  depressão e sua saúde desde que apanhou sarampo antes da abdicação do pai, continuava debilitada.

Durante algum tempo conseguiu demonstrar otimismo para não entristecer o pai, na prisão domiciliar em Czar koe Selo e em Tobolsk também.
Inclusive chegou a trazer um revólver escondido na bota porque já temia pela vida dos seus e só depois de muita insistência de um Comandante amigo, Kobilynsk que alertou que se houvesse uma revista achariam a arma e viriam consequências.

Ela entregou a arma e a preocupação e ansiedade fragilizou ainda mais sua abalada saúde.
Tudo indica que ela nunca mais iria recuperar a saúde.

Por  isso  que  quando  chegou  a  Ordem  que  o  Czar  teria  que  ser  transferido ( como  a  família  não  poderiam  seguir  viagem  por  causa  do  grave  estado  de  Alexei ),  a  Czarina  seguiu  com  o  Czar  escolhendo  Maria  para  acompanha-la  já  que  Olga  além  de  ter  saúde  debilitada  também  estava   deprimida.


Os  primeiros  dias  após  a  partida  dos  pais  foram  terríveis  para  as  irmãs  e  Alex.
Olga  porém  reuniu  forças  para  junto  com  as  irmãs  entreter  Alexei  e  esconder  junto  com  as  irmãs  as  jóias  que  a  mãe  havia  dado  ordem  que  as  escondessem  em  roupas  interiores,  forro  de  chapéus  e  mesmo fazendo  de  botões  forrados.
Uma  infeliz  decisão  da  Czarina,  como  veremos  mais  tarde  esses  diamantes  foram  a  agonia  delas  na  hora  da  morte.

Chegou  a  Páscoa  de  1918,  a  primeira  que  a  família  passou  separada  e  a  última  da  vida  deles.

Olga  escreveu  no  sábado:

“Gostaríamos tanto de saber como vocês celebraram essa Festa da Luz e o que estão fazendo”, continuou Olga no sábado de Páscoa, “a Liturgia da Meia-Noite e a Vigília foram muito bem. Foi lindo e íntimo. Todas as lâmpadas laterais estavam acesas, mas nenhum candelabro, havia luz suficiente.

Nessa manhã, cumprimentaram a comitiva e distribuíram ovos de Páscoa e pequenos ícones, do modo que a mãe delas sempre fizera; e comeram os tradicionais kulitch e pashka.
A  Páscoa  do  Casal  Real  e  de  Maria  fora extremamente modesta: trouxeram comida da cantina comunal na cidade e vários de seus pertences estavam em péssimas condições, empoeirados e sujos da viagem acidentada.

A  última  carta  de  Olga:

“Como estão sobrevivendo e o que estão fazendo?”, perguntou Olga, no que seria sua última carta de Tobolsk. “Como adoraria estar com vocês. Ainda não sabemos quando vamos partir [...]. Que Nosso Senhor a proteja, minha querida e adorada mamãe, e todos vocês. Um beijo no papai, em você e M., muitas e muitas vezes. Eu os estreito em meus braços com amor. Sua Olga.”


Quando saíram de Tobolsk, a bordo do Rus, Olga e as irmãs sofreram assédio sexual por parte dos guardas.

Foi uma dificil viagem de 3 dias.


Quando reencontraram os pais e á Maria, foi uma alegria de pouca dura por causa do terrível cativeiro que foi a mansão Ipatiev.


Além da cerca alta que havia ao redor da casa, caiaram as janelas, não lhes permitiam tomar banho e restringiram muito a alimentação deles.

As doações que lhes chegavam de leite, ovos e creme para Alexei, eram roubadas pelos guardas.

Inúmeros de seus pertences pessoais foram confiscados.

Não podiam receber cartas, nem envia-las, mas o pior de tudo foram as humilhações.
Olga  nesse  cativeiro  afundou-se  em  depressão,  como  testemunhou  um  Guarda:

Aleksei Kabánov, lembrou sua visível infelicidade, como mal falava e “não se comunicava com os demais membros da família, exceto o pai” — com quem sempre caminhava de braços dados durante a recreação no jardim. 

No  dia  16  de  Julho  de  1918,  foi  acordada  com  toda  sua família  pela  Guarda  e  enganados  para  ir  ao  porão  sob  desculpa  de  « estarem  seguros  do  tiroteio  na  cidade»  e  que  « aproveitariam  para  tirar  uma  foto».
Quando  entraram na sala  os  marginais  bolcheviques  e  o  líder  deles  leu  a  ordem  de  execução,
Olga  assim  como  a  mãe  ainda  tentaram  fazer  o  sinal  da  cruz  mas  foram  derrubadas  pelos  tiros.
Olga  assistiu  a  morte  de  seus  adorados  pais  e  de  sua  adorada  irmã  Tatiana,  vindo  a  morrer  de  um  tiro  após  ter  sido  esfaqueada.

Meu  pensamento  sobre  Olga:  ela  tinha  um  temperamento  explosivo,  porém  seu  bom  coração  compensava  essa  falta.






Vídeo  em  homenagem  a  Olga  Romanov.

Trechos sobre Olga Romanov por quem a conheceu:
A Olga era a menina mais adorável e as pessoas gostavam dela desde o momento em que a olharam. Quando criança ela era franca, aos 15 anos ela era bela. Ela tinha menos de meia altura, com uma compleição jovial, profundos olhos azuis, muitos cabelos castanho claros, e mãos e pés bonitos. Ela levava a vida à sério, e era uma menina inteligente, com uma disposição agradável.-Lili Dehn em "The Real Tsarita",




A mais velha, Olga Nikolaevna, possuía um cérebro extraordinariamente rápido. Ela tinha um grande poder de racionalização, bem como de iniciativa, tinha uma atitude muito independente e um dom para responder rapidamente. Ela deu-me muito trabalho no começo, mas os nossos desentendimentos iniciais foram rapidamente sucedidos por uma relação de franca cordialidade. Ela aprendia qualquer coisa extremamente rápido, e tentava sempre dar um significado original para o que estava aprendendo. Eu lembro-me bem como, na nossa primeira aula de gramática, quando eu estava explicando a formação dos verbos e o uso do auxiliares, ela logo me interrompeu dizendo "Eu entendi, monsieur. Os auxiliares são os servos dos verbos. Só o pobre "avoir" é que tem de se mudar sozinho.-Pierre Gilliard em "Thirteen Years at the Russian Court",



Olga Nikolaevna tinha um temperamento explosivo. E às vezes contrariava-se quando se sentia ofendida.-Baronesa Sophie Buxhoeveden,



Ela tinha um temperamento quente, mas não guardava ressentimentos. Tinha o coração do seu pai, mas faltava-lhe a sua consistência.-Sydney Gibbes,




A Olga era talvez a mais franca de todas, a sua mente era muito rápida para compreender ideias, e absorvia tanto conhecimento que ela aprendia algo sem aplicação ou sem ter estudado a fundo. As suas principais características, eu devo dizer, eram uma forte força de vontade e um singular hábito de sinceridade no pensamento e ação. Qualidades admiráveis numa mulher, essas mesmas características eram ocasionalmente difíceis de lidar na infância, e Olga quando pequena às vezes mostrava-se incontrolável e desobediente. Ela tinha um temperamento quente o qual, aprendeu a controlar rapidamente e se fosse permitido a ela viver sua vida normalmente ela teria sido, eu acredito, uma mulher de influência e distinção.-Anna Vyrubova em "Memories of the Russian Court"





As meninas eram todas muito bonitas. A mais velha, Grã-duquesa Olga Nikolaevna, era loira e alta, com risonhos olhos azuis, o nariz um tanto quanto pequeno, o qual ela chamava ‘meu humilde nariz arrebitado’, e dentes adoráveis. Ela era uma notável graciosa figura e uma bela amazona e dançarina. Ela era a mais franca das irmãs, e era muito musical, tinha, o que os professores falavam, um ‘ouvido absolutamente correto’. Ela conseguia tocar de ouvido qualquer coisa que ouvia e conseguia reproduzir peças complicadas de música, tocar o acompanhamento mais difícil só de olhar e seu toque no piano era encantador. Ela cantava belamente como mezzosoprano. Era preguiçosa ao praticar, mas quando o espírito a movia, podia tocar por horas. Olga Nikolaevna era muito direta, às vezes falava muito claramente, mas sempre sincera. Ela tinha um grande charme e podia ser a mais alegre das alegres. Quando pequena, seus infortunados professores foram vítimas de todas as brincadeiras possíveis praticadas por ela. Quando cresceu estava sempre disposta para qualquer diversão. Ela era generosa, e um apelo para ela encontrava-se com uma resposta imediata. 'Oh, alguém tem que ajudar o pobre fulano de tal. Eu devo fazer isso de alguma forma’. Ela falava... Olga Nikolaevna era devota ao pai. O horror da Revolução a afiou mais do que a qualquer dos outros. Ela mudou completamente, e todo o seu espírito vivo desapareceu.-Baronesa Sophie Buxhoeveden em "The Life and Tragedy of Alexandra",



Leitora ávida e poetisa de talento considerável. A despeito da diferença de idade a Grã-duquesa Olga era particularmente amiga de meu pai, a quem ela se sentia livre para discutir qualquer coisa que a interessava ou aborrecia. Ela dizia sempre que meu pai era um ‘ poço fundo de idéias profundas’ e até mesmo dirigia-se a ele em cartas como ‘Querido Poço’ Olga e eu trabalhávamos seriamente com poesia e a Grã-duquesa ficou interessada em meus versos. Seu interesse naturalmente acrescentou mais entusiasmo em meus esforços, e daí em diante eu submeti cada novo pedaço de verso escrevendo-o a Olga, o qual ela analisava muito cuidadosamente, geralmente dando-me valiosos conselhos, e trocando opiniões sobre rimas, ritmos e outros problemas que eu suponho preocupar os poetas. Assim foi que eu conheci e apreciei o caráter fino e sensível da Grã-duquesa Olga... Ela era por natureza uma pensadora e como me pareceu mais tarde, entendia da situação geral melhor do que qualquer outro membro da família, incluindo até seus pais. Por fim, eu tive a impressão de que ela tinha poucas ilusões em relação ao que o futuro ia reservar a eles, e em conseqüência estava ocasionalmente triste e aflita. Mas tinha uma doçura em seu redor que evitava afetar alguém em uma maneira depressiva, até mesmo quando ela se sentia assim.-Gleb Botkin,




Olga aos dezessete anos já era uma jovem senhorita, mas ela continuava a agir como uma garota. Tinha bonitos cabelos claros, seu rosto – largo e oval – era puramente russo, não particularmente regular, mas seu extraordinário colorido e seu belo sorriso, que revelavam já notáveis, dentes brancos, davam a ela grande jovialidade... O caráter de Olga era mesmo, bom, com uma amabilidade quase angelical.-A.A. Mossolov em "At the Court of the Last Tsar"






Oração de Olga encontrada em Ipatiev:




"Dai-nos, Senhor, a paciência, neste ano de dias de tempestade e cheios de trevas, para conseguirmos sofrer a opressão popular e as torturas dos nossos carrascos. Dai-nos a força, ó Senhor da justiça para perdoarmos o mal dos nossos irmãos e para carregar a Cruz tão pesada e sangrenta, com a tua humildade. Nos dias em que os inimigos nos roubam, que consigamos suportar a vergonha e a humilhação, Cristo, nosso salvador, ajuda-nos. Mestre do mundo, Deus e do Universo, abençoa-nos com rezas e dá às nossas almas o humilde descanso nesta hora horrível e insuportável. No limiar da nossa sepultura, respira para os lábios dos teus humildes escravos força maior do que a força humana - para rezar pelos nossos inimigos.

DIÁRIO  DE  OLGA  ROMANOV:


https://www.goodreads.com/book/show/17795465-the-diary-of-olga-romanov

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