Em Fevereiro de 1917, Olga e Alex contraíram sarampo.
Mais tarde todas as irmãs ficaram doentes.
Quando ela recuperou, seu pai já havia abdicado e estava prisioneira em CzarKoye Selo
com toda sua família.
Enquanto durou seu cativeiro no Palácio, ela não sofreu depressão, conseguiu se aguentar.
Ainda tinha esperanças (assim como toda sua família ) que seriam mandados para a Criméia.
Porém quis aprender a atirar e conseguiu uma arma a qual levaria para Tobolsk, tendo sido aconselhada mais tarde pelo Comandante a não leva-la para Ekaterinburgo-Mansão Ipatiev.
Poema que escreveu para a mãe em TsarKoe Selo:
Você é cheia de angústia Pelo sofrimento dos outros. E nunca ignorou O sofrimento de ninguém. Você é inflexível Só consigo mesma, Sempre fria e impiedosa. Mas se ao menos pudesse olhar Sua tristeza de longe, Ao menos uma vez com espírito terno — Oh, como teria piedade de si mesma. Como choraria com tristeza.
Após uma longa viagem, por ordem de Kerensky, chegaram a Tobolsk em Agosto de 1917.
Tobolsk, a residência do antigo Governador.
Serviu de « lar» para a Família Real de Agosto de 1917 a Abril de 1918.
Em Tobolsk os meses de verão decorreram com relativa paz , porém o tédio foi tomando conta de todos pela falta de espaço e as atividades consistiam em cortar lenha .
No inverno a casa era um autêntico gelo, mesmo assim a família conseguiu celebrar o Natal .Inclusive a Czarina e as filhas tricotaram para os soldados e a Czarina pintou marcadores para livros.
“Depois da ceia na véspera de Natal”, Olga escreveu para Rita:
Entregamos os presentes para todo mundo, a maioria consistindo em vários itens bordados por nós mesmas. Quando os estávamos separando e decidindo o que dar para quem, nos lembramos muito de nossos bazares de caridade em Ialta. Lembra quanto tempo sempre levava para ficar pronto? A gente tinha as vésperas por volta das dez da noite anterior e a árvore era acesa. Era agradável e aconchegante. O coro era grande e cantava bem, só que muito como um concerto, que eu não gosto.
Olga, que sempre havia sido uma ávida leitora, nesse tempo dedicou-se mais a leitura religiosa e a poesia.
Embora tivesse se habituado a trabalhar desde o cativeiro em Tsarkoe Selo, não gostava de trabalho doméstico.
Um amigo da Família Real Serguei Bekhtéev mandou alguns poemas para eles e Olga respondeu-lhe:
Papai me pede para dizer a todos que permaneceram leais a ele e àqueles sobre os quais eles possam exercer alguma influência que não devem vingá- lo, pois perdoou todo mundo e reza para todos; que eles próprios não busquem vingança; que devem lembrar que o mal que há no mundo se tornará ainda mais poderoso e que não é o mal que vence o mal — só o amor.
As condições do cativeiro em Tobolsk agravaram-se quando a Guarda foi mudada em Março de 1918 por terríveis soldados bolcheviques.
A partir de então o que antes era uma dúvida, passou a ser uma certeza para muitos da Comitiva e também para a Família Real, Olga, Alexei e o Czar.
O Czar pensava que só o iam executar a ele e procurou se incriminar no Diário, achando que deixariam sua família livre.
Porém o Czar e a Czarina não tem desculpa de não terem sequer tentado porem seus filhos a salvo quando tiveram chance de fugir, durante vários meses em tobolsk.
A Guarda era relaxada na vigilância, a cidade era monarquista e entretanto eles não aceitavam a idéia de se separarem dos filhos para que ficassem em segurança.
O mais absurdo ainda foi o facto que ambos recusavam-se a fugirem junto com a família da Rússia, achando que estariam seguros em outra parte do País.Mas Nicolau e Alexandra haviam ambos permanecido inflexíveis em que não contemplariam nenhum “resgate” que envolvesse a família sendo separada “ou deixando o território russo”. Fazer isso, como Alexandra explicou, significaria para eles romper seu “último elo com o passado, que então estaria morto para sempre”.
Alexei na altura ficou muito doente e confidenciou á mãe:
“Quero morrer, mamãe; não tenho medo da morte”. A morte não o intimidava porque seus temores estavam em outra parte. “Estou com muito medo do que podem fazer conosco aqui.”
Olga nessa altura já se encontrava em depressão e sua saúde desde que apanhou sarampo antes da abdicação do pai, continuava debilitada.
Durante algum tempo conseguiu demonstrar otimismo para não entristecer o pai, na prisão domiciliar em Czar koe Selo e em Tobolsk também.
Inclusive chegou a trazer um revólver escondido na bota porque já temia pela vida dos seus e só depois de muita insistência de um Comandante amigo, Kobilynsk que alertou que se houvesse uma revista achariam a arma e viriam consequências.
Ela entregou a arma e a preocupação e ansiedade fragilizou ainda mais sua abalada saúde.
Tudo indica que ela nunca mais iria recuperar a saúde.
Por isso que quando chegou a Ordem que o Czar teria que ser transferido ( como a família não poderiam seguir viagem por causa do grave estado de Alexei ), a Czarina seguiu com o Czar escolhendo Maria para acompanha-la já que Olga além de ter saúde debilitada também estava deprimida.
Os primeiros dias após a partida dos pais foram terríveis para as irmãs e Alex.
Olga porém reuniu forças para junto com as irmãs entreter Alexei e esconder junto com as irmãs as jóias que a mãe havia dado ordem que as escondessem em roupas interiores, forro de chapéus e mesmo fazendo de botões forrados.
Uma infeliz decisão da Czarina, como veremos mais tarde esses diamantes foram a agonia delas na hora da morte.
Chegou a Páscoa de 1918, a primeira que a família passou separada e a última da vida deles.
Olga escreveu no sábado:
“Gostaríamos tanto de saber como vocês celebraram essa Festa da Luz e o que estão fazendo”, continuou Olga no sábado de Páscoa, “a Liturgia da Meia-Noite e a Vigília foram muito bem. Foi lindo e íntimo. Todas as lâmpadas laterais estavam acesas, mas nenhum candelabro, havia luz suficiente.
”
Nessa manhã, cumprimentaram a comitiva e distribuíram ovos de Páscoa e pequenos ícones, do modo que a mãe delas sempre fizera; e comeram os tradicionais kulitch e pashka.
A Páscoa do Casal Real e de Maria fora extremamente modesta: trouxeram comida da cantina comunal na cidade e vários de seus pertences estavam em péssimas condições, empoeirados e sujos da viagem acidentada.
A última carta de Olga:
“Como estão sobrevivendo e o que estão fazendo?”, perguntou Olga, no que seria sua última carta de Tobolsk. “Como adoraria estar com vocês. Ainda não sabemos quando vamos partir [...]. Que Nosso Senhor a proteja, minha querida e adorada mamãe, e todos vocês. Um beijo no papai, em você e M., muitas e muitas vezes. Eu os estreito em meus braços com amor. Sua Olga.”
Quando saíram de Tobolsk, a bordo do Rus, Olga e as irmãs sofreram assédio sexual por parte dos guardas.
Foi uma dificil viagem de 3 dias.
Quando reencontraram os pais e á Maria, foi uma alegria de pouca dura por causa do terrível cativeiro que foi a mansão Ipatiev.
Além da cerca alta que havia ao redor da casa, caiaram as janelas, não lhes permitiam tomar banho e restringiram muito a alimentação deles.
As doações que lhes chegavam de leite, ovos e creme para Alexei, eram roubadas pelos guardas.
Inúmeros de seus pertences pessoais foram confiscados.
Não podiam receber cartas, nem envia-las, mas o pior de tudo foram as humilhações.
Olga nesse cativeiro afundou-se em depressão, como testemunhou um Guarda:
Aleksei
Kabánov, lembrou sua visível infelicidade, como mal falava e “não se
comunicava com os demais membros da família, exceto o pai” — com quem
sempre caminhava de braços dados durante a recreação no jardim.
No dia 16 de Julho de 1918, foi acordada com toda sua família pela Guarda e enganados para ir ao porão sob desculpa de « estarem seguros do tiroteio na cidade» e que « aproveitariam para tirar uma foto».
Quando entraram na sala os marginais bolcheviques e o líder deles leu a ordem de execução,
Olga assim como a mãe ainda tentaram fazer o sinal da cruz mas foram derrubadas pelos tiros.
Olga assistiu a morte de seus adorados pais e de sua adorada irmã Tatiana, vindo a morrer de um tiro após ter sido esfaqueada.
Meu pensamento sobre Olga: ela tinha um temperamento explosivo, porém seu bom coração compensava essa falta.
Vídeo em homenagem a Olga Romanov.
Trechos sobre Olga Romanov por quem a conheceu:
A Olga era a menina mais adorável e as pessoas gostavam dela desde o momento em que a olharam. Quando criança ela era franca, aos 15 anos ela era bela. Ela tinha menos de meia altura, com uma compleição jovial, profundos olhos azuis, muitos cabelos castanho claros, e mãos e pés bonitos. Ela levava a vida à sério, e era uma menina inteligente, com uma disposição agradável.-Lili Dehn em "The Real Tsarita",
A mais velha, Olga Nikolaevna, possuía um cérebro extraordinariamente rápido. Ela tinha um grande poder de racionalização, bem como de iniciativa, tinha uma atitude muito independente e um dom para responder rapidamente. Ela deu-me muito trabalho no começo, mas os nossos desentendimentos iniciais foram rapidamente sucedidos por uma relação de franca cordialidade. Ela aprendia qualquer coisa extremamente rápido, e tentava sempre dar um significado original para o que estava aprendendo. Eu lembro-me bem como, na nossa primeira aula de gramática, quando eu estava explicando a formação dos verbos e o uso do auxiliares, ela logo me interrompeu dizendo "Eu entendi, monsieur. Os auxiliares são os servos dos verbos. Só o pobre "avoir" é que tem de se mudar sozinho.-Pierre Gilliard em "Thirteen Years at the Russian Court",
Olga Nikolaevna tinha um temperamento explosivo. E às vezes contrariava-se quando se sentia ofendida.-Baronesa Sophie Buxhoeveden,
Ela tinha um temperamento quente, mas não guardava ressentimentos. Tinha o coração do seu pai, mas faltava-lhe a sua consistência.-Sydney Gibbes,
A Olga era talvez a mais franca de todas, a sua mente era muito rápida para compreender ideias, e absorvia tanto conhecimento que ela aprendia algo sem aplicação ou sem ter estudado a fundo. As suas principais características, eu devo dizer, eram uma forte força de vontade e um singular hábito de sinceridade no pensamento e ação. Qualidades admiráveis numa mulher, essas mesmas características eram ocasionalmente difíceis de lidar na infância, e Olga quando pequena às vezes mostrava-se incontrolável e desobediente. Ela tinha um temperamento quente o qual, aprendeu a controlar rapidamente e se fosse permitido a ela viver sua vida normalmente ela teria sido, eu acredito, uma mulher de influência e distinção.-Anna Vyrubova em "Memories of the Russian Court"
As meninas eram todas muito bonitas. A mais velha, Grã-duquesa Olga Nikolaevna, era loira e alta, com risonhos olhos azuis, o nariz um tanto quanto pequeno, o qual ela chamava ‘meu humilde nariz arrebitado’, e dentes adoráveis. Ela era uma notável graciosa figura e uma bela amazona e dançarina. Ela era a mais franca das irmãs, e era muito musical, tinha, o que os professores falavam, um ‘ouvido absolutamente correto’. Ela conseguia tocar de ouvido qualquer coisa que ouvia e conseguia reproduzir peças complicadas de música, tocar o acompanhamento mais difícil só de olhar e seu toque no piano era encantador. Ela cantava belamente como mezzosoprano. Era preguiçosa ao praticar, mas quando o espírito a movia, podia tocar por horas. Olga Nikolaevna era muito direta, às vezes falava muito claramente, mas sempre sincera. Ela tinha um grande charme e podia ser a mais alegre das alegres. Quando pequena, seus infortunados professores foram vítimas de todas as brincadeiras possíveis praticadas por ela. Quando cresceu estava sempre disposta para qualquer diversão. Ela era generosa, e um apelo para ela encontrava-se com uma resposta imediata. 'Oh, alguém tem que ajudar o pobre fulano de tal. Eu devo fazer isso de alguma forma’. Ela falava... Olga Nikolaevna era devota ao pai. O horror da Revolução a afiou mais do que a qualquer dos outros. Ela mudou completamente, e todo o seu espírito vivo desapareceu.-Baronesa Sophie Buxhoeveden em "The Life and Tragedy of Alexandra",
Leitora ávida e poetisa de talento considerável. A despeito da diferença de idade a Grã-duquesa Olga era particularmente amiga de meu pai, a quem ela se sentia livre para discutir qualquer coisa que a interessava ou aborrecia. Ela dizia sempre que meu pai era um ‘ poço fundo de idéias profundas’ e até mesmo dirigia-se a ele em cartas como ‘Querido Poço’ Olga e eu trabalhávamos seriamente com poesia e a Grã-duquesa ficou interessada em meus versos. Seu interesse naturalmente acrescentou mais entusiasmo em meus esforços, e daí em diante eu submeti cada novo pedaço de verso escrevendo-o a Olga, o qual ela analisava muito cuidadosamente, geralmente dando-me valiosos conselhos, e trocando opiniões sobre rimas, ritmos e outros problemas que eu suponho preocupar os poetas. Assim foi que eu conheci e apreciei o caráter fino e sensível da Grã-duquesa Olga... Ela era por natureza uma pensadora e como me pareceu mais tarde, entendia da situação geral melhor do que qualquer outro membro da família, incluindo até seus pais. Por fim, eu tive a impressão de que ela tinha poucas ilusões em relação ao que o futuro ia reservar a eles, e em conseqüência estava ocasionalmente triste e aflita. Mas tinha uma doçura em seu redor que evitava afetar alguém em uma maneira depressiva, até mesmo quando ela se sentia assim.-Gleb Botkin,
Olga aos dezessete anos já era uma jovem senhorita, mas ela continuava a agir como uma garota. Tinha bonitos cabelos claros, seu rosto – largo e oval – era puramente russo, não particularmente regular, mas seu extraordinário colorido e seu belo sorriso, que revelavam já notáveis, dentes brancos, davam a ela grande jovialidade... O caráter de Olga era mesmo, bom, com uma amabilidade quase angelical.-A.A. Mossolov em "At the Court of the Last Tsar"
Oração de Olga encontrada em Ipatiev:
"Dai-nos, Senhor, a paciência, neste ano de dias de tempestade e cheios de trevas, para conseguirmos sofrer a opressão popular e as torturas dos nossos carrascos. Dai-nos a força, ó Senhor da justiça para perdoarmos o mal dos nossos irmãos e para carregar a Cruz tão pesada e sangrenta, com a tua humildade. Nos dias em que os inimigos nos roubam, que consigamos suportar a vergonha e a humilhação, Cristo, nosso salvador, ajuda-nos. Mestre do mundo, Deus e do Universo, abençoa-nos com rezas e dá às nossas almas o humilde descanso nesta hora horrível e insuportável. No limiar da nossa sepultura, respira para os lábios dos teus humildes escravos força maior do que a força humana - para rezar pelos nossos inimigos.
DIÁRIO DE OLGA ROMANOV:
https://www.goodreads.com/book/show/17795465-the-diary-of-olga-romanov

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